CAPÍTULO 02(Uma noite para te perder)

CAPÍTULO 2

Steban


Já estava chegando a noite e o dia Aqui na fazenda foi puxado, trabalhamos o dia todo realizando a plantação das pastagens para o rebanho. De volta para o casarão combinei com o Damião e o Camillo para irmos nos divertir no cassino, jogar um pouco e beber, no meu caso em relação as mulheres as vezes só mesmo por diversão, mas não me apaixonei por mais ninguem e acredito que jamais me apaixonarei, depois do que fui obrigado a vivenciar no galpão do meu pai, aquilo que ele fez com a Alessia só para castigar-me por não ter obedecido suas ordens ainda me assombra durante as noites, são sempre os mesmos pesadelos eu tentando salvá-la, mas sendo impedido pelos homens do meu pai. Seus gritos chamando pelo meu nome é um martírio para mim.

Fui no meu carro com o Damião e Camillo veio logo depois no outro carro, gosto do Damião já é um Senhor de idade, mas obedece as ordens sem reclamar e nesses últimos anos depois que ele fez um serviço para o meu pai para assim poder vir morar comigo, serviço este que até hoje ele nunca quis me contar, mas mesmo assim ele tornou meu fiel conselheiro. Mas sempre o pergunto que tipo de serviço que ele fez para poder ter a permissão do capo para sair da Família Moretti.

Mas ele nunca comenta, sei que as leis lá são rígidas e cruéis, nasci na máfia e tem um ditado na máfia que é praticamente uma lei, quem nasce na máfia morre na máfia. Mas depois do que eu passei com a Alessia, em seguida minha mãe faleceu não encontrei mais sentido de permanecer naquele mundo e decidi que enfrentaria tudo para sair daquele inferno, se preciso até a morte. O Capo o meu pai, sempre foi muito autoritário e as coisas tinham que ser sempre do jeito dele. Às vezes eu sentia saudade do tempo que meu pai me colocava para dormir ou me levava no campinho para jogar bola. Mas depois que eu completei meus 14 anos tudo mudou, a minha mãe sempre dizia para eu ser forte e não desobedecer a meu pai. Mas o treinamento para eu me tornar um capo sucessor não era fácil, um dia apanhei tanto que quebrei duas costelas sem contar os cortes pelo corpo e tinha que aguentar tudo e não demonstrar fraqueza ou sentimentos.

Mas quando completei meus vinte anos de idade, decidi que iria resolver aquela situação não iria mais me sujeitar a aqueles serviços, mas conhecendo as leis da máfia sabia que não iria ser fácil, então antes de rebelar contra o Capo, reunir alguns homens que eram de minha confiança para serem meus aliados, se tinha uma coisa que eu sempre fui bom era em articular planos. Depois que já estava com um grande número de apoiadores, relatei minhas intenções que eu iria desafiar o capo, caso eu vencesse eu teria o direito a um pedido seja ele qual fosse, esta era uma regra iviolada na máfia e depois que eu conheci todas as regras vigentes na minha família, fiquei contente por encontrar uma saida. Mas tinha uma claúsula nesta regra era que se caso o desafiante pedisse afastamento da família, seria concedido, mas este teria que sair do país e jamais retornar às suas origens ou comentar sobre. Caso voltasse a pena seria a morte ou então terminaria o resto da vida servindo a família no cargo que servia antes.

Passei a noite pensando em como seria minha vida longe da Família Moretti, a mais rica e influente da Itália, também conhecida por suas rígidas regras e leis, comandava grande parte do mercado negro da Itália, Estados únidos, Rússia e Canadá e nos últimos anos seu território só vinha crescendo, mas a maneira como era feito para conseguir o avanço territorial nunca me agradou, mas eu tinha que realizar o trabalho de forma neutra não demonstrando fraqueza.

Então um dos homens de minha confiança me ligou dizendo que já havia comprado uma bela Fazenda no México no nome de Steban Gonsaléz, caso eu vencesse os meus documentos novos estariam na minha bagagem em um carro na esquina da minha casa. O agradeci por isso, ele sabia do perigo que estava correndo em fazer aquilo, pois caso eu vencesse eu teria que sair somente com a roupa do corpo, não poderia levar documentos, objetos pessoais, a conta bancária seria confiscada, ficando a critério do Capo de dar a família do desestor ou não.

O dia amanheceu mas não fez diferença para mim, pois não dormir durante a noite pensando como eu iria viver cuidando de uma fazenda, aliás eu tinha muitas qualidades, mas não de cuidar de uma fazenda, mas mesmo assim era melhor do que ter que ir para outro país sem nada e sem apoio, sendo que não poderia continuar na Itália. Vesti meu terno preto desci cautelosamente sabendo que meu pai estaria furioso pelo meu confronto a ele, passei por Maria que me olhava com tristeza, ela era como uma mãe para mim, e eu podia ver a dor e o desespero em seus olhos.

Dei um beijo em sua testa, mas não poderia demonstrar como estava me sentindo, e segui para o salão de reuniões que ficava no lado sul da mansão, ali todos os tipos de acertos de contas eram realizados, no caminho olhei as mobilhas douradas e lindas que minha mãe cuidava com muito amor e carinho e lembrei que aquele seria o último dia que eu as veria, pois de um jeito ou de outro eu teria que sair da mansão, morto ou disertado.

Ao abrir a porta da sala de reunião vi o conselho todo reunido sentados em volta de uma mesa redonda, e na sala de luta ao lado estava o meu pai, a forma como me olhou jamais irei esquecer, vários demônios cobria o seu olhar e naquele momento percebi que eu não era mais seu filho e sim um desafiante, repirei fundo tirei meu paletó, coloquei sobre um acento vazio e me diregi para onde meu pai estava, ele pegou dois facões e eu peguei as mesmas armas, tinha várias outras para escolher, mas resolvi deixar o jogo igual, aliás era a luta do Capo contra seu sucessor. Eu conhecia bem o meu pai e seu estilo de luta, sabia que não iria ser fácil derrotá-lo. Mas naquele momento bloqueei da minha mente que aquele homem a minha frente era o meu pai, e sim um desafiante qualquer que iria ter seu fim merecido.

O Capo partiu para cima de mim com golpes certeiros, quase difícil de esquivar e a luta tomou seu ápice, os conselheiros estavam na mesma posição olhando o duelo com suas expressões neutras, mas podia perceber que estavam preocupados com a vida do Capo, mesmo eu não tendo a permissão para matá-lo, mas em uma luta tudo pode acontecer.

Já havia desarmado o Capo, mas também já estava muito machucado e somente com uma das armas em mãos, quando ele caiu em um ataque rápido que realizei, um dos conselheiros interviu na luta dando a vitória para mim. Meu pai se levantou e saiu da sala sem olhar para ninguém, e eu fui obrigado a usar a porta dos fundos que dava direto para a rua, muito machucado e sangrando não sabia se iria conseguir chegar até o carro na esquina, a dor era insuportável e o frio estava fazendo tudo ficar pior, até que avistei o carro, quase me arrastando entrei dentro do carro, fiquei agradecido pelos vidros serem escuros assim ninguem poderia me ver naquela situação e me levar para um hospital.

Fechei a porta e quando olhei no banco de trás estava uma garrafa de água mineral e uma caixa de primeiros socorros ao lado de uma bolsa, mas eu estava tão desabilitado que só consegui engoli um pouco de água com um comprimido para dor e apaguei ali mesmo. Acordei com um barulho de algumas crianças, o corpo todo dolorido, levantei devagar e vi que já era noite, olhei no relógio já era duas da manhã, havia uma enorme poça de sangue no chão do carro, peguei uma toalha que estava na mochila, molhei-a, limpei as feridas fiz um curativo, tirei a roupa do meu corpo e coloquei uma limpa, e a suja levei a uma cesta de lixo. Sentei no banco do carro olhando para as duas crianças lá longe correndo e brincando enquanto seus pais os seguiam de mãos dadas. Fiquei imaginando como seria o futuro daquelas duas crianças inocentes, o que as esperariam?

No bolso ao lado da bolsa tinha um papel, peguei-o e quando olhei era uma passagem de avião para o México e já era logo pela manhã, me apressei em ligar o carro para sair dali, pois sabia que os homens do meu pai quando interasse setenta e duas horas viria a minha procura para saber se realmente sai, e eu não poderia correr o risco deles me capturarem.

Cheguei no aeroporto as cinco da manhã, li o nome na passagem mais uma vez para não falar Matteo Moretti e sim Steban Gonsaléz, agora não mais italiano e sim mexicano. Sabia que minha vida não iria ser fácil mas o alívio que eu estava sentido era enorme, sei que não terei perdão por tudo o que fiz, mesmo que por contra vontade, mas só de poder me tornar uma pessoa comum, sem ter a responsabilidade de uma nação me faz aquecer e suportar a dor dos ferimentos adquiridos no duelo.

Cheguei no México e lá arrumei uma carona até a Fazenda Esperança, no meio do caminho vi um homem batendo em uma mulher no meio da estrada, era um homem alto, loiro com o cabelo aos ombros, e a mulher estava toda machucada, eu já havia feito muitas maldades, mas jamais machucaria uma mulher daquela forma, a não ser que tivesse um motivo muito forte e uma razão bem clara.

Peguei a arma que estava na minha bolsa, o motorista implorou para eu ficar no carro e não envolver naquela situação, pois aquele homem trabalhava para o cartel local e ninguem ousava desafiá-los, eles eram muito cruéis, mas não liguei para o homem ali preocupado e nem para a dor em meu corpo, desci do carro e pedi ao homem que por nada saisse dali ele assentiu com a cabeça. Eu fui caminhando na estrada estreita de terra em direção ao homem que dava chutes descontrolados na garota, cheguei perto e gritei-o para parar, ele se virou para mim igual um cão feroz e veio igual um louco, não me mechi do local, saquei a arma e naquela distância eu sabia que não erraria, sempre fui um dos melhores atiradores dos homens do meu pai. Ele vendo a arma em minha mão recuou, e disse para não me envolver, caso contrário eu iria me meter em problemas.

Sabia que o que ele estava dizendo era verdade, afinal eu queria paz e sossego longe daquela violência que fui obrigado a viver por muitos anos, mas não poderia deixar aquela garota naquela situação, eu disse a ele que eu estava disposto a correr qualquer perigo, e que ele não sabia quem eu era para me ameaçar. Percebi que ele estava sem reação, aproveitei aquele momento de dúvida e disse que se ele me desse a garota eu o deixaria vivo. A menina toda machucada, o implorou para me ouvir, ela gritava com ele, o bom é que eu poderia comunicar com eles em Espanhol ou em qualquer outra língua, desde pequenos tinhamos que aprender vários idiomas para poder realizar as negociações.

Até que ela gritou algo que fez o homem recuar:

— Brian, eu estou grávida.

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