CAPÍTULO 03 (Uma noite para te perder)

CAPÍTULO 3

Steban


O rapaz ficou incrédulo com a confissão da garota, parecia que ele não estava acreditando, ele se virou para ela e disse:

— Você não me contou sobre isso!

Ele acusou-a e ela respondeu:

— Eu só queria fugir da casa de meus pais, ele jamais irá aceitar a minha gravidez ou que eu me case com o Camillo, por isso aceitei a sua proposta de ir trabalhar na casa da família rica nos Estados Unidos.

— Há bom! Então você achou que estando grávida iria ter alguma serventia para mim? Eu não ia levar você para casa de família nenhuma, eu pensei que você era uma garota descente e por isso eu a escolhi, você serveria perfeitamente para o chefe, mas agora você não vale nada. Se não fosse a arma apontada para a minha cabeça eu te mataria aqui e agora pelo tempo que você me fez perder.

— Você sabia que seu pai ganhou uma boa grana por você? E você aí achando que estava fugindo você foi vendida a mim, e pode se lembrar eu irei cobrar._ Brian gritou descontrolado

Eu apontei a arma em sua direção em uma expressão que indicava que caso ele não recuasse eu o mataria, mas antes que eu tivesse alguma reação, ouvimos passos de cavalos e virei-me para olhar na direção, o rapaz pelo qual a moça chamou pelo nome de Brian, correu e entrou em seu carro dando a partida, deixando a moça caida no chão.

Segurei a arma em direção dos cavalheiros e outro bando de cavalheiros entraram pela mata seguindo o carro do Brian, e os outros vieram até nós, quando viram que também estava armado, eles pararam em uma pequena distância de mim e nos rodaram deixando eu e a garota em um círculo. Um garoto jovem, alto, magro e queimado pelo sol, falou:

— Quem é este homem, e por quê você saiu de carro com aquele cara?

Percebi a tensão no rosto do jovém, mesmo sendo um rapaz novo percebi que era bem valente e estava defendendo o que era dele, e por isso teve o meu repeito. Olhando para a jovem trêmula ao meu lado, encolhida quase que implorando por ajuda, eu me adiantei e disse:

— Olá cavalheiros!! Sou novo por aqui, sou o novo dono da Fazenda Esperança e no caminho para minha fazenda, encontrei esta menina sendo violentada por aquele moço que passou por vocês no carro. Eu desci e resolvi ajudá-la. Mas agora, acredito que devemos cuidar dela e depois vocês conversam sobre o que aconteceu.

Afinal a menina estava grávida e pela cara do rapaz, com certeza ele era o Camillo, e eu não poderia ser incoveniente de dizer que ela estava esperando um filho, isso era assunto deles e eu não queria mais me meter em problemas. Olhei para eles avaliei-os e vi que não havia perigo, guardei a minha arma, o Camillo já estava com a morena nos braços e quando ia colocá-la no cavalo, eu intervi e ofereci para levá-la em seu destino, mesmo eu estando de carona eu pagaria o Sr. que estava me levando a fazenda, a menina estava esperando um bebê e já estava bastante machucada.

O rapaz olhou desconfiado, mas entendeu o que eu estava tentando dizer, mas a menina falou:

— Eu não posso voltar para casa de meus pais.

— Como assim? Para onde você vai? seu pai é muito violento e poderá espancá-la mais ainda.

Rebateu Camillo

A menina entre soluços disse:

— Eu queria fugir da casa de meus pais, porque descobri que estava grávida, esperando um filho seu, e um dia encontrei o Brian na feira e estávamos conversando, ele me ofereceu um serviço em uma casa de uma família nos Estados Unidos, disse que conhecia bem a família. No início fiquei receosa, mas aí meu pai apareceu e o cumprimentou, dizendo que eles eram grandes amigos e que Brian era um rapaz descente.

O Camillo ficou em choque, não sei se pela gravidez ou pela confissão de fuga. Então a menina continuou:

— Eu estava desesperada, sem saber o que fazer, se meu pai descobrisse ele mataria a nós dois eu não poderia deixar isso acontecer com você, então decidi ir embora com o Brian, mas chegando aqui no meio da estrada ele parou o carro e disse que iria vê se eu servia para o serviço, foi quando o rapaz aqui apareceu e me salvou.

O rapaz bufou de raiva e a menina se encolheu mais, mas não desviou seu olhar do dele, ele então caminhou em direção a seu cavalo e disse a mim:

— O Senhor pode levá- la até o meu rancho?é simples mas dá para nos ajeitar lá. Eu seguirei vocês e ela indica o caminho.

Mas diante do que ouvi, e da minha experiência eu sabia que as coisas não eram tão simples assim, e como eu tinha uma fazenda para administrar algo passou em minha mente e eu falei ao Camillo:

— Acredito que não seja seguro para ela ficar sozinha em casa, enquanto você trabalha. Ainda não conheço a minha fazenda e não sei das instalações, mas se você aceitar poderá vir com ela e morar na minha fazenda. Você pode me ajudar na administração e quando ela se recuperar ela trabalha na casa.

O rapaz pensou um pouco e disse que aceitava, afinal ele não tinha um emprego fixo em nenhuma fazenda e disse que a fazenda era enorme, com um lindo casarão e com boas terras. Ao ouvi-lo fiquei contente. Mas me adiantei sobre o pagamento, afinal eu não era mais o bilionário da Família Moretti, com certeza já deveriam ter anunciado a minha morte para a imprensa para ninguém bisbilhotar a minha falta.

— Eu não posso pagar a você o justo, disponho de pouco dinheiro, mas se você aceitar, de acordo a fazenda produzir nós iremos ajustando o salário.

O rapaz sorriu e disse que aceitaria, que iria trabalhar duro na fazenda, e assim os outros cavalheiros voltaram dizendo que não conseguiram atirar nos pneus do carro para parar. O Camillo acenou para eles e vi que eles eram fieis ao Camillo, aproveitei que estavam todos juntos e disse a ele:

— A mesma oferta que fiz a você, faço a seus companheiros, os que aceitarem me procure na fazenda, agora vamos porque a menina precisa de cuidados.

Me dirigi ao carro, a menina já estava sentada no banco de trás, eu sentei no banco do passageiro e seguimos em direção a fazenda. Ela então me chamou e disse:

— Obrigada Senhor! Eu me chamo Paulina.

Acenei com a cabeça e disse a ela que meu nome era Steban.

Ao longe avistamos a fazenda, era linda e ali seria meu refúgio de paz e sossego, quando distante vimos uma núvem de fumaça, a Paulina enlouqueceu dentro do carro dizendo que era sua casa e gritava sem parar pela sua mãe.

O Camillo veio até nós e disse para eu levar a Paulina e que ele iria ver o que estava acontecendo, seguimos em frente e os cavalheiros sumiram de vista deixando uma enorme rastro de poeira pelo ar. Chegamos no portão da fazenda, e tiros começaram a ser disparados.

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